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Mood du Jour

Mood du Jour

É mais ou menos isto...

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“Começar de novo ou acabar mais cedo?”

Nem todas as mudanças são para toda a gente.
E nem todas pressupõem a reinvenção total. A maioria delas, faz-se apenas, com o fim de algo que se demora há tempo de mais. Estas são talvez as mais duras porque pressupõem a quebra da habituação.
Não falo dos vícios, porque há relações que ardem mais que ponta de cigarro.
E há trabalhos que nos deviam pagar uma choruda indemnização só pelo fracasso dos sonhos prometidos.
Mas porque é que as pessoas se demoram tanto no que lhes faz mal?
Será o risco da mudança tão assustador que há quem prefira assegurar-se no mal que já conhece?
Não consigo perceber senão como um medo terrível do vazio e da solidão. Nunca consegui demorar-me muito onde não era feliz. Não concebo que numa existência tão curta e efémera se perca o capital mais importante de uma vida, o Tempo.
O único valor que jamais nos é ressarcido.
Seria fosse tudo mais fácil, se as frases feitas não vivessem apenas como um pano de fundo. Nunca vi tanta partilha de pensamento estereotipado nas redes sociais, tanto impulso à mudança. Como quem passa o facho de luz ao próximo, na esperança que haja alguém com coragem de mudar a vida e a contar nos como fez depois.
Do que sei da mudança é que ela começa sempre como um processo interior, um incómodo instalado, crescente, quase dormência, insónia, um vazio parasita que não descola quando lavamos a cara, que não se despe quando nos desembaraçamos do peso da roupa, nem se afoga no fundo de um copo de vinho. E há quem viva assim assumindo que a dor continuada é um bibelot interior.
E depois há os outros, aqueles que a sacodem, que a escutam, que escrutinam as entranhas da dormência. E que sem medo de se afogarem nas suas próprias dores, as puxam cá para fora. Sentam-nas no banco dos réus da consciência e lançam-se no julgamento mais honesto das suas pretensões.
É violento, mas tão benéfico, que basta experimentar uma vez para ficar viciado.
Não vale a pena fingir que não se sente, não é boa táctica desenvolver processos de apatia, numa vida que se quer vivida da forma mais acordada. Sempre que sentir que quer mudar.
Pare, escute e olhe.
Observe-se de dentro para fora e não tenha medo de dialogar com as suas próprias dores. Elas só doem mesmo, porque são suas, lembre-se disso.
E quando tiver muito medo de mudar, projecte-se para frente e veja com nitidez, o que será de si, se tudo permanecer igual.

 

Texto pela fabulosa Isabel Saldanha | Imagem by me ;)